A Ceia do Senhor: Livre ou Restrita?

OS PARTICIPANTES DA MESA DO SENHOR - DELIMITADA AOS CRENTES BATIZADOS

OUTRO MOTIVO restringente da comparência à Refeição Memorial é o ser batizado.

Sim! A Mesa é do Senhor!

Paulo exalta-a no apanágio de a “MESA DO SENHOR” (I Cor. 10:21). Não de a MESA DO SALVADOR.

Se fosse a MESA DO SALVADOR seria, sem quaisquer embaraços, desimpedida a todos os salvos. Paulo Apóstolo, no entanto, enaltece-a como a “MESA DO SENHOR” e, por conseguinte, posta só ara os submissos e obediente. Ora, o primeiro preceito de pública e obedientes é o Batismo, o BATISMO EVANGÈLICO (= imersão de crentes sob pública profissão de fé), a porta de entrada numa Igreja dócil, submissa e obediente, desvelada em ensinar a obediência incondicional a Jesus em tudo quanto Ele mandou.

a) – E isto em razão da ordem ou disposição lógica estabelecida pelo próprio Jesus Cristo. A seguir à conversão genuína, pelo Batismo Bíblico a pessoa se agrega a uma Igreja, condição indispensável de participar da Ceia. A Ceia do Senhor, o Doce Memorial de Sua Paixão e Morte, seguramente incluída naquelas “todas as coisas que Eu vos tenho mandado” e “na Doutrina dos Apóstolos”.

b) – Com efeito, todos os Apóstolos, os primeiros a participaram do Rito Comemorativo, foram antes batizados porquanto “desde o princípio” estiveram com Jesus (Jo.15:27; Lc.1:2; Jo.1:1-2). Conviveram com o Senhor em todo o tempo do Seu Ministério, “começado desde o BATISMO de João” (At.1:21-22).

c) – Os crentes da igreja em Corinto evidentemente eram batizados (I Cor.1.13). alguns até batizados pelo próprio Paulo como Crispo, Gaio e os família de Estéfanas (I Cor.1:14,16).

d) – Com toda a franqueza de coração tenho tributado graças a Deus por haver inspirado a Paulo o escrever a Primeira Epístola aos Coríntios naqueles termos em que foi redigida apontando, vergastando e corrigindo os abusos daqueles irmãos. Estamos também nós arriscados a tais desvios. Por isso essa Epístola, considerada o notável tratado de Eclesiologia inserido no Novo Testamento, é sempre atual e de permanente utilidade para todos os cristãos.

Sua página clássica sobre a instituição da Ceia Memorial e as normas de sua celebração (I Cor.11:17-34) e precedida em I Cor.10:1-4 de uma esplêndida figura das duas Ordenanças Evangélicas alegorizadas por célebre episódio do velho Testamento. São quatro versículos riquíssimos de instruções, inclusive sobre a ordem ou seqüência lógica e normal da administração das Ordenanças discorre o Apóstolo: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar. e todos comeram dum mesmo manjar espiritual. E beberam todos duma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo”.

O empolgante episódio da portentosa travessia do Mar Vermelho tipifica a experiência do espiritual Israel de Deus que somos nós. Aqueles israelitas primeiramente foram, pelo sangue do cordeiro vertido nas vergas das portas, libertos do jugo egipciano. Sob a chefia de Moisés e em comunhão com ele entraram no mar de águas e por cima, a cobri-los inteiramente, a nuvem. É o BATISMO retratado.

Depois deste Batismo no mar e na nuvem o comer do manjar e o beber da bebida, tipos da Ceia do Senhor em suas duas espécies de pão e vinho.

O pecador escapa da escravidão do pecado, simbolizada por aquele jugo egípcio. Escapa pelo poder do sangue de Jesus Cristo, tipificado naquele sangue do cordeiro pascal.

A esta experiência de libertação segue-se o Batismo simbolizado por aquela imersão no mar e na nuvem. Em prosseguimento da ordem ocorre a Ceia Memorial profetizada simbolicamente naquele comer do manjar e beber da bebida.

e) – O Batismo, à luz de Rm.6.2-8, representa o princípio da vida, quer dizer, o

Batismo é em figura declaração de tudo quanto ocorre na regeneração da pessoa. E a Ceia simboliza o prolongamento dessa vida, pois o salvo continua a viver por comer e beber espiritualmente o Corpo e o Sangue do Salvador, ou seja, por crescer na fé em Cristo. E este apropriar-se de Jesus é figurado pela participação à Ceia. Em resultado, quem não foi batizado não pode tomar parte nela.

A seqüência é infrangível porque ela própria revela fatos espirituais e contem doutrinas.

f) – Aliás, presbiterianos, romanos, gregos ortodoxos, metodistas, congregacionalistas,

Todos indiscutivelmente aceitam esta disposição de precedência do Batismo em referência á Ceia Memorial, porque é da unanimidade católica, protestante e evangélica ser o Batismo essencial para se ser membro da Igreja.

Unanimidade esta entroncada nas próprias Escrituras por completo omissas de um preceito ou de um exemplo de alguém a tomar a Ceia sem o precedente Batismo.

 

A ORIGEM DA QUESTÃO – A dificuldade surge em decorrência da conceituação da natureza e da forma do Batismo. As denominações de proveniência protestante, como os metodistas e o identificam com uma simples aspersão. É uma herança do catolicismo. É de se notar a preservação de muito catolicismo nos espaços protestantes em relação à doutrina das Ordenanças.

Os batistas, em contraposição e por propugnarem pelo lídimo Cristianismo Espiritual. Crêem e adotam o Verdadeiro Batismo Evangélico, que é o mediante a profissão de fé, ou Batismo por imersão é um clamoroso e tonitroante pleonasmo, pois o vocábulo imersão é a tradução correta do termo grego batismo.

Ademais, se valesse a canequinha d’água João o Batista não teria batizado no Rio Jordão e procurado lugar de “muita água”.

De fato os quatro requisitos para o Batismo legítimo são: autoridade certa (uma Igreja Autêntica), batizador certo (um administrador qualificado e na capacidade de representante da autoridade de uma igreja), candidato certo (pessoa realmente convertida) e a forma certa (a imersão).

Batismo por imersão! Escusem-me a redundância. O pleonasmo. A tautologia. Não quero se prolixo. Forçam-me as circunstâncias. Se ao invés de se transliterar ou transpor o vocábulo grego BATISMO para as nossas versões vernáculas da Bíblia, fosse o vocábulo corretamente traduzido, seria IMERSÃO e estaríamos imunes da sua adulteração e não estaria eu aqui a ser redundante e prolixo.

Ora, além do própria sentido do termo reclamar o entendimento correto de IMERSÃO, as Escrituras indicam em pelo menos cinco tópicos o fato da imersão.

- muita água, em Jo.3:23

- descer à água, em At.8.38

- sepultamento na água, em Rm.6:4

- levantar da água, em Cl.2:12 e Rm.6:4

- sair da água, em Mc.1:9-10

A conclusão é normas das Escrituras Sagradas, simplesmente não é batismo.

As pessoas ligadas a grupos afastados do ensino bíblico relativo ao Batismo por seguirem o soas não estão qualificadas a participarem da Lídima Mesa do Senhor.

Admiti-las significa conspurcar essa Mesa Sagrada.

 

CINDUTA INCOERENTE – Coitado do Dulçor! Treme dos pés à cabeça. Dêem-lhe depressa um copo d’água adoçada. Passou o susto, Dulçor?

Não pense isso! Não estou dizendo que as pessoas impedidas de se assentarem à Mesa do Senhor estejam perdidas. Podem ser crentes, mas desqualificadas para a Bendita Ordenança Memorial por lhes faltar o requisito essencial do Verdadeiro Batismo. Á minha mesa chamo quem eu quero, Dulçor. À Mesa do Senhor a Igreja só pode permitir quem é devida e biblicamente credenciado.

Esse Dulçor na sua amenidade é um pandego. A mamãezinha dele tem uma empregada doméstica. Também crente. Membro da igreja dele. Com ele canta no coral e bom ele toma a Ceia lá na Igreja. Todavia o Dulçor não a convida a participar de cozinha das sobras do almoço e depois que todos da casa já comeram.

 

NÃO NA MESA DELE – Certa ocasião tive o prazer de ser convidado para um almoço na residência de um presbiteriano amigo e a quem prezo sobremodo. Enquanto aguardávamos os derradeiros arranjos, conversávamos amistosamente a respeito da Ceia do Senhor, que ele teimosamente no seu jargão protestante chamava de “santa ceia”. Era-lhe irreprimível a aversão pela restrição dos batistas. Se a Mesa é do Senhor, sofismava ele, por que não podem todos os crentes dela participar? A Mesa é do Senhor e não batista, ou presbiteriana, ou pentecostalista ou metodista. É o arrazoado do Dulçor!

Entrementes bate à porta um mendigo. Maltrapilho, sujo, mal-cheiroso, descalço e faminto. Pediu…Não, não pediu dinheiro… Não pediu esmola…Pediu comida. Literalmente pediu comida.

Em silêncio de alimento, o rapaz alegou que o almoço ainda não estava pronto. Ia demorar. Que desculpasse. Deu-lhe uns trocados e o despediu. Que no bar ali da frente comprasse um pão…

Ao cerrar o postigo da porta, alvitrando atendêssemos o chamado da esposa por estar a mesa já posta, comentou. Mendigos não faltam, tanta gente passando fome…

Interceptei-lhe a frase. O almoço já está na mesa. A mesa é sua. Por que não o convidou para sentar-se a ela conosco?

Ah!, ele não tem condições!!!, exclamou. Está tão sujo e cheirando mal. Parece-me até que cheirava a cabeça…

Chegou a minha vez! Conversávamos sobre o que mesmo?, redargüi, fazendo-me de esquecido.

Sobre a restrição antipática à Ceia que os batistas fazem aos de outras denominações.

Muito bem! A mesa do almoço é a sua mesa. Para ela Você pode convidar quem Você bem a um podre faminto. Será que com aqueles trocados ele comprará pão que lhe sacie a fome? A mesa é sua e você a faculta a quem bem quiser e estabelece as condições. Faltavam ao pedinte as qualificações por Você determinadas. De minha parte não me compete censurá-lo. A mesa é sua e embora todos sejamos criaturas de Deus, também aquele homem maltrapilho, Você o recusou à sua mesa.

As Sagradas Escrituras com total Clareza assentam limites aos partícipes da Mesa do Senhor. A Mesa é do Senhor e Ele tem direito e autoridade de dispor condições. Assim como não me cabe recriminá-la por rejeitar a presença do mendigo à sua mesa, também não compete a ninguém censurar as Igrejas zelosas na preservação dos requisitos impostos pelo Senhor como condições à legítima participação da Mesa Comemorativa.

Há mais! É na eventualidade de um crente fiel ao Senhor estar a assistir Culto numa Igreja de pessoas não batizadas biblicamente e ocorrer a celebração da ceia, ele, por lealdade à Sagrada Ordenança e por coerência, não deve porque não pode participar desse ato.

Afinal, os legítimos batistas não advogam a Ceia restrita. A verdade é que eles, consentâneos com as Escrituras, propugnam pelo verdadeiro Batismo, o Batismo restrito. A limitação do Batismo às normas da verdade, sim, é que delimita a participação à Ceia do Senhor. Se os batistas crêem que o Batismo por imersão (desculpem-me o pleonasmo!) é necessário para alguém se tornar membro d Igreja, é evidente que devem rejeitar outro modo de batismo por parte daqueles que querem se assentar à Mesa do Senhor. E se aceitassem a participação de um aspergido ou pedobatista estariam concordes com o seu falso batismo.

É uma questão de coerência pois a Verdade é coerente e lógica. Autor: Aníbal Pereira dos Reis - ex-sacerdote Católico Romano
Digitação: Sabyrna Santos e David C. Gardner 12/2008
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

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