A Origem das Línguas - A Ciência pela Bíblia
Josiel Cordeiro
O episódio conhecido como "A Torre de Babel", narrado pela Bíblia no capítulo 11 de Gênesis, é o maior acontecimento na história da comunicação humana. O relato sagrado diz que o povo (boa parte da população da Terra na época) estava reunido em um mesmo lugar, contrariando a ordem do Criador de "espalhar-se e povoar a terra" (Gn. 1:22), com o intuito de construir uma torre que fosse alta o suficiente para os levar ao encontro de Deus. Para conduzi-los e forçá-los a fazerem o que estava proposto, Deus confundiu suas línguas para que um não entendesse o outro (Gn. 11:7-9).
A Bíblia afirma e, precisamos atentar para isso, que até esse momento, "toda a terra era de uma mesma língua" (Gn. 11:1), todos falavam o mesmo idioma, uma língua universal.
O primeiro estudo lingüístico (sobre línguas/linguagens) detalhado que se tem registro na história é o estudo feito pelos hindus para analisarem e preservarem sua língua, tida como sagrada, o sânscrito, no século IV a. C. Esse estudo era descritivo e normativo, ou seja, ao mesmo tempo em que viam as características dessa língua, trabalhavam para que ela não sofresse transformações. A partir daí, em vários países, em várias culturas, com várias línguas diferentes e por motivos diferentes, estudos lingüísticos foram realizados e, hoje, a Lingüística é uma ciência que tem como objeto um campo muito abrangente. Ela se subdivide em outras ciências que estudam facetas desse vasto campo de estudo, que é a língua. Hoje temos a sociolingüística, a psicolingüística, a fonética, a fonologia e muitas outras ciências preocupadas com o estudo dos fenômenos lingüísticos.
Mas por que relacionar um fato histórico relatado pela Bíblia, escrito por Moisés, provavelmente durante a peregrinação pelo deserto, entre 1491 e 1451 antes de Cristo com os estudos lingüísticos modernos? A resposta pode ser encontrada no Século XIX, quando os estudiosos das ciências sociais, influenciados pelos recentes estudos em torno das ciências naturais, como por exemplo, "A Origem das Espécies" de Darwin, associavam os estudos de suas fontes aos estudos dos organismos vivos. Os lingüistas, nessa época, se preocuparam, em sua maioria, em procurar uma raiz comum para as línguas existentes no mundo, assim como Darwin e outros procuravam uma origem comum para os seres vivos. Esse método é denominado histórico-comparativo e seus teóricos, comparativistas. Em busca dessa raiz comum nas línguas modernas, será que comprovaram cientificamente o que a Bíblia já dizia? Vamos fazer uma rápida análise nesses estudos.
Essa Lingüística Comparativa se baseava na comparação de métodos lingüísticos em línguas distintas. As línguas eram tratadas como um grupo familiar, portanto línguas-irmãs que tiveram uma única língua-mãe. Para ilustrar o aspecto do trabalho dos comparativistas, vamos perceber semelhanças em quatro línguas que, inegavelmente, são provenientes de uma mesma lígua. São línguas românicas que surgiram do latim. A palavra "pai" será usada como exemplo e comparada entre as línguas portuguesa, espanhola, francesa e italiana:
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Português |
Espanhol |
Francês |
Italiano |
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pai |
padre |
pere |
padre |
Foi exatamente comparando as semelhanças e diferenças dessas línguas que se chegou à conclusão que todas são línguas-irmãs vindas de uma mesma língua-mãe, o latim. Mas o latim também teve suas irmãs e, conseqüentemente também, sua mãe. Vejamos mais uma comparação com a mesma palavra "pai" como exemplo:
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Latim |
Grego |
Sânscrito |
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pater |
patér |
pitar |
Portanto, essas línguas tiveram uma única língua-mãe que deu origem a elas e a outras línguas no mundo. Essa língua foi denominada pelos teóricos de indo-europeu, reconstruída a partir dos vestígios que ela deixou nas línguas que originou. Não há dúvida de que houve realmente o indo-europeu, não podemos definir se essa língua é o hebraico, como querem alguns ou se é uma língua morta que não é falada mais, o que podemos concluir é que essa língua é a língua de toda a terra antes da confusão de Babel, como descrito em Gênesis.
Por que não se ouve muito falar sobre esses estudos comparativistas hoje? Com o avanço dos estudos lingüísticos e o crescimento do relativismo, o estudo sobre uma língua única, absoluta não interessava mais aos acadêmicos. Um dos mais notáveis teóricos dessa época foi Ferdinand de Saussere, que teve importantes trabalhos na Lingüística histórica e comparativa. Saussere, no inicio do século XX definiu um novo objeto de estudos para a lingüística, em seu "Curso de Linguistica Geral", tido como a mais importante publicação da Linguistica moderna. Nele é estabelecido que a ciência deve estudar a língua em suas modificações em um determinado período da historia e não mais estudá-la em suas mudanças históricas, o chamado método sincrônico. Com essa forte contribuição de Saussere, os estudos diacrônicos (históricos) foram deixados de lado.
Mas para a definição da Lingüística moderna que estudamos hoje o comparativistas tiveram suas contribuições importantes e hoje não se questionam seus métodos nem suas conclusões. Em todo o mundo há professores universitários que não crêem no relato bíblico, mas que, pelas evidências nos estudos desses comparativistas, têm a certeza de que exisitiu, de fato, uma única língua que deu origem a todas as outras.
Mais uma vez temos a ciência contribuindo para a compreensão dos fatos bíblicos. A Bíblia, mesmo não sendo um livro cientifico, tem seus relatos acerca da terra, da humanidade e aspectos naturais que podem ser comprovados pela ciência séria. Porém, é claro, essas contribuições cientificas não servem para nos ensinar em que devemos crer, já que temos que aceitar o que Deus diz pela fé sem duvidar, o que podemos fazer é usar essas evidências para calar os escarnecedores e mostrar que há um Deus Eterno, Onisciente, Onipotente, Justo e Salvador.
Bibliografia:
Para a composição deste texto foram usadas, como ferramentas de estudos, citações e exemplos, as seguintes obras:
Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1994.
Smith's Bible Dictionary. Power BibleCD, Ver 4.0, 2003
PIETROFORTE, Antonio Vicente. A língua como objeto da Lingüística. In: FIORIN, J. L. (org.). Introdução à lingüística. 2. ed. São Paulo, Contexto, 2003, p. 75-95.
WOODWOOD, Barbara. História concisa da lingüística. [trad.] Marcos Bagno. São Paulo, Parábola, 2002.
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